Manuel Marques
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Carta à VIDA
Data: 13/04/2008
Créditos:
Autoria e voz: Manuel Marques
Copyright © 2008. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.
Carta à VIDA

Isto é simples, penso numa Harley Davidson, sentado naquele mundo louco de aventuras e sigo pelos caminhos infinitos de um  qualquer deserto americano. Podia ir a pé, só para demorar mais tempo e não ter que voltar para o trabalho, ou à boleia, recebendo ainda mais negativas, fruto do medo do mundo na infinita maldade do próximo. Seria o fantasma de mim próprio a sobrevoar frustrações, sonhos nunca concretizados, libertaria as toxinas necessárias para que o coração pudesse aguentar melhor as agruras de uma vida errante.

Até posso imaginar a Harley, de lenço na cabeça, óculos escuros e sem me lavar uns dias seguidos, é assim que os imagino, é assim que eles andam, eles não param, é claro que não, mas eu tenho a mania das suites imperiais, das massagistas particulares, dos banhos quentes mesmo no Verão sem sequer me lembrar que há quem viva sem água potável. Egoísta? Um perfeito traste, porque em vez da Harley gostava de ter asas e ir para a Cidade da Alegria onde não teria necessidade das tecnologias, nem de cumprir objectivos ou de me irritar com atrocidades como as de olhar para alguém como um mero número, ah pois isso afecta-me em demasia, nunca imaginei chegar a esse ponto, mas por fim começo a sentir as pessoas como meros números.

Voltando à Harley e aos desertos cinematográficos, aos sonhos por começar foi para isso que te escrevi. Imagina só eu, o menino bem comportado, feito Exterminador Implacável, não de baratas ou escaravelhos, mas de líderes sem consciência, arautos da liberdade do mundo, capitalistas ou comunistas, que interessa se a maldade é sinistra ou revista?

Desculpa-me amiga, tu que acompanhas o coração nas suas vicissitudes, ora em caminhos de longas auto-estradas a direito, monótonas e sem sobressalto, como de repente pode coexistir uma curva brusca, uma tortura sem fim ou então cansaço repentino, e que se lixe o resto porque a outra dimensão, aquela em que esperamos viver sem contemplar as atrocidades que temos nesta, está ali ao virar da esquina, mesmo que apenas vejamos o caminho sempre a direito.

Olha minha querida, tinha saudades tuas, da tua fisionomia encantada, de curvas e precipícios inesperados, da emoção das montanhas russas que te habitam.

Deixo-te o melhor de mim, na esperança que me acompanhes por muito tempo e me dês força para ser irreverente, seja na Harley, seja a pé ou no encalço do que me faça ser alguém melhor!

Amo-te!
Enviado por Manuel Marques em 21/04/2007
Copyright © 2007. Todos os direitos reservados.
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